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BIS: Princípios para boas práticas em testes de estresse

A análise de estresse para o gerenciamento de risco de mercado é de particular importância mesmo em momento de cenários econômicos benignos, nos quais são apagados da memória os vestígios da crise. Afinal, como observou o economista Hyman Minsky: a estabilidade é desestabilizante. Em períodos de longa prosperidade e de baixa volatilidade, os participantes de mercado com receio de estar perdendo oportunidades de negócio por causa de um excesso de cautela expõem-se a riscos crescentes, o que potencializa a fragilidade do próprio sistema financeiro.

Dessa forma, a análise de estresse é uma ferramenta fundamental para o gerenciamento de risco em períodos de grande expansão com um processo quase imperceptível de erosão de margens de segurança. Nesses ciclos, a inovação financeira propicia a criação de novos produtos para os quais há uma quase que completa ausência de dados históricos de perdas, o que dificulta a análise de risco. A profundidade e duração da atual crise financeira têm levado inúmeros bancos e supervisores a questionar a adequação das práticas adotadas nas análises de estresse. Não só os efeitos da crise têm sido mais agudos dos estimados pelos testes de estresse dos bancos, mas também por causa de importantes debilidades nas políticas utilizadas como resposta ao desenvolvimento dos eventos.

Com essa preocupação, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) elaborou um documento para discussão de princípios que devem nortear as análises de risco com base em cenários de estresse. O documento está submetido ao setor financeiro para consultas até fins de março e, provavelmente, as recomendações constarão em uma eventual revisão do Acordo de Basiléia II.

Aproveitando-se das lições da crise, o trabalho apresenta um elenco de melhores práticas para a governança para o desenho e a implementação de programas de teste de estresse para os bancos. Enumera as debilidades nas análises que foram evidenciadas pela atual crise financeira, inclusive em pontos específicos como o da mitigação e da transferência de risco. De forma resumida, o trabalho destaca, ainda, as expectativas para o papel e as responsabilidades dos supervisores na revisão das práticas adotadas e aponta pontos importantes para uma boa prática para a análise de estresse, como:
·         fornecer uma análise prospectiva de risco.
·         complementar as informações dos modelos utilizados e os dados históricos.
·         ser parte integrante de um plano estratégico de capital e de liquidez.
·         apoiar a comunicação interna e externa
·         orientar na definição da tolerância ao risco das instituições
·         facilitar o desenvolvimento de planos de mitigação de risco e de contingência para uma gama de condições críticas.
Nout Wellink, presidente do Comitê e presidente do Banco Central da Holanda, destacou em comunicado que os testes de estresse têm papel essencial para reforçar a governança corporativa e a resistência de bancos e do sistema financeiro. Os bancos devem fazer revisão constante de cenários, examinar novos produtos para identificar riscos potenciais, examinar interação entre riscos de mercado, de crédito e de liquidez.
Íntegra do documento 
Everton P.S. Gonçalves - Assessor Econômico da ABBC - Associação Brasileira de Bancos.
 

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